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A "isenção" da chamada grande imprensa

No jornalismo moderno, a informação e a opinião são setores distintos, regidos por diferentes editorias, porque a notícia, para ser imparcial e idônea, e, pelo menos, aparentar isenção, não pode e não deve ser confundida com o comentário, restrito aos editoriais e aos artigos assinados.


Tal avanço midiático parece, no entanto, ainda não ter sido plenamente aceito e incorporado entre nós, não só nas regiões em que sobrevivem fragmentos do poder de antigas dinastias familiares, mas também nas cidades mais desenvolvidas do país, como o Rio de Janeiro e São Paulo, onde a chamada 'grande imprensa' se descabela, literalmente, na época das eleições presidenciais, quando entra em jogo o futuro dos interesses econômico-financeiros do mercado e do sistema dominante.

Na edição do dia 8, por exemplo, o diário O Globo, nome pelo qual a “grande imprensa” atende no Rio, deixou de lado a autoproclamada isenção e não hesitou em editorializar a principal manchete da primeira página, "Mantega usa tática do medo contra PSDB na economia", para informar, já comentando, que o ministro da Fazenda havia declarado que a eleição de Aécio "causará recessão, desemprego e cortes de programas sociais", conforme aparece abaixo, em tipos menores. Isto é, a notícia (o que o ministro disse) foi relegada a plano secundário pelo açodamento da militância combativa por uma causa.

Posso até entender que o DNA conservador e direitista do tradicional periódico carioca, do qual sou assinante, acabe prevalecendo em campanhas políticas tão decisivas como esta, impedindo a concretização da anunciada "isenção", mas, neste caso, não só a técnica do moderno jornalismo, mas também a ética, recomendariam deixar a "tática do medo" (interpretação) para as páginas de opinião ou para os diversos colunistas tucanos que militam, com vigilante competência, no primeiro caderno.

Não foi, obviamente, a primeira vez, nem na página principal, que isto ocorreu. De novo, só o candidato, que voltou a ser o Aécio, depois que os resultados do primeiro turno sepultaram as esperanças da oposição na Marina. E não há a menor dúvida de que esta será a tônica, com o irrestrito engajamento do jornal na campanha, até o dia 26, pois a 'grande imprensa' não suporta e encara com horror a perspectiva de sofrer a sua quarta derrota consecutiva frente ao que chama de “lulopetismo”. O maior problema para ela, conforme evidenciou a votação do Nordeste no dia 5, vai ser o de convencer as legiões de pobres que melhoraram de vida ao longo dos últimos 12 anos que o Brasil piorou.

 

Artur Poerner é jornalista e escritor. Livros publicados pela BOOKLINK: O poder jovem (5. ed), Nas profundas do inferno (3.ed.) e Leme (2. ed.). Reside no Rio de Janeiro.

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